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01/12/2011

Horas Inexatas

Eu  não tenho o refúgio indébito da paz que eu queria...
Tenho comigo o degelo que a humanidade julga indigno.
A impressão que me fica, é que ao me atirar na fogueira estala uma esperança que já era só cinzas...
Ah, que estas horas inexatas me são dadas e eu as consumo como única vaidade que me resta.
O  apito de um trem que se distancia vem soar no meu ouvido como ruído vivo... É a música que fala da humanidade indo e vindo...
E eu quero sentir o meu corpo concedendo vida ao meu espírito, porque eu temo deparar com o abandono de ficar...
As masmorras que me aquecem são frias...
Cuida de mim criança que fui, eu não quero padecer esta noite. Se tuas mãos pudessem passar leves pela minha cabeça, mas eu só consigo te ver nos meus sonhos. Você está sempre me acenando com o olhar triste...
Se ao menos você me acusasse por aquilo que eu lhe fiz, mas eu não ouço a tua voz e teus olhos não me reprovam...
Então fica o vazio do adeus entre eu e você.
Cada segundo que passa nos distancia ainda mais...
Não há reencontro nem refúgio...
Eu silencio minh’alma e me entrego ser errante.
Já não há mais buscas, o trem apita ao longe...
Amanhã é a soma de muitas horas e ainda há corda no relógio!
( Monólogo do Personagem Nestor Adeus extraído da Peça O Último Vagão de Alba Simões )

29/07/2010

A Pessoa Errada

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivência, e ouve e pensa,
não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é,
na verdade, a pessoa errada
Porque a pessoa certa faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas
Aí é a hora de procurar a pessoa errada
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo
E só assim é possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que Ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente.
Nossa missão:
Compreender o universo de cada ser humano,
respeitar as diferenças,
brindar as descobertas,
buscar a evolução.
Quando a gente acha que tem todas as respostas,
vem a vida e muda todas as perguntas ...
Créditos: Texto  (Luís Fernando Veríssimo)
Vídeo por Mariatchucainha:YouTube

24/06/2010

Florbela Espanca -Inconstância


Procurei o amor que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava.
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer…
Um sol a apagar-se e outro a acender
Nas brumas dos atalhos por onde ando…
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também… nem eu sei quando…

23/06/2010

Monólogo das Mãos - Giuseppe Ghiaroni

Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar,aplaudir,reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...      
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário; Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena; foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos, David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência; os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir; o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos. E com as mãos os surdos-mudos falam.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada, a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes; dá cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza. Humilde e poderosa no trabalho cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de fidelidade. O noivo para casar-se pede a mão de sua amada; Jesus abençoava com as mãos; as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera, cruzadas sobre o peito, que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem... 
E as mãos dos coveiros nos enterram!

22/06/2010

Em busca dos efêmeros - Márcia Tiburi



Ando em busca dos Efêmeros.
Encontro-os por todos os lados.
Passantes calmos ou aflitos, vendo-se ou vendo-me.
Os efêmeros são os vivos, os que podemos ver, e os fantasmas que vemos mesmo que não existam, e os que existem e não podemos ver. 
Qual a cegueira que nos toca, que nos impede a mira?
O que eu veria se destapasse os olhos? Veria os efêmeros, os que se escondem, atrás de suas próprias nucas, e à sua frente perdidos de si mesmos em busca de si mesmos por meio de outros, e os outros? 
Outros, os desistentes e os insistentes, os efêmeros com seus sapatos, saias, bolsos, máquinas de fotografar, sombras; lêem livros, fazem teatro, assistem,esperam, comem, andam, olham, chegam, vêem, vão, os efêmeros estão por todos os lados, simples, complexos, apressados, com seus trejeitos, sorrisos, fome, seus objetos de espera, de sedução, repetem a vida, repetem a morte em vida, repetem a vida em vida, a armadura que sustenta toda vertigem.  Os efêmeros formam atalhos, desvios, andam, andam, seguem lemingues sempre prontos ao abismo lento ao qual demos o nome de esperança. Os efêmeros são feitos de sinais, filigranas, fascínio, atenção, esperas, pés no chão, amor, prazer, conversas, ordens, são antípodas, são a nossa imitação. 
Os efêmeros nos perguntam e não respondem, os efêmeros só esperam que os ajudemos a atravessar a grande vertigem.
Sempre a espera do grande contentamento invisível.
Desnudemos os olhos.
Queremos nossos olhos nus para que os efêmeros passem em seu cortejo triunfal em paz.
Os efêmeros somos nós.”
Autora: Márcia Tiburi

01/06/2010

Além do que se pode ver



Naquela noite de outono,
Minhas mãos suavam frias...
Em uma cidade perdida,
Na estendida coreografia das estrelas.
Um Cenário, ou o paradoxo da vida?
Nos olhares despertos,
na multidão escondida,
A alegria flutuando aflita.
Na morte dos sonhos,
vem surgida uma nova partida.
 Alba Simões

30/03/2010

" Por um Mundo Melhor " O Amor

Talvez quem sabe, um dia por uma alameda do zoológico
ela também chegará
ela que também amava os animais
entrará sorridente assim como está
na foto sobre a mesa
ela é tão bonita
ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão
o século trinta vencerá
o coração destroçado já
pelas mesquinharias
agora vamos alcançar tudo o que não podemos arrumar na vida
com o estrelar das noites inumeráveis
ressuscita-me
ainda que mais não seja
porque sou poeta
e ansiava o futuro
ressuscita-me
lutando contra as misérias do quotidiano
ressuscita-me por isso
ressuscita-me
quero acabar de viver o que me cabe minha vida
para que não mais existam amores servis
ressuscita-me
para que ninguém mais tenha que sacrificar-se por uma casa um buraco.
ressuscita-me
para que a partir de hoje a partir de hoje
a família se transforme e o pai seja pelo menos o universo
e a mãe seja no mínimo a terra
a terra. a terra,  a terra.