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20/01/2015

Ela lambia os meus pés...


Ela lambia os meus pés. Enquanto eu cozinhava.
Peito de frango, eis que eu preparava seu prato preferido!
A febre do calor ultrapassava 40 graus...
Meu suor pingava da testa, escorria pelo meu rosto e salgava o cardápio principal da Juliana.
E meu tempo esquecido marcava as horas que não voltariam, jamais.
Amei Juliana neste exato instante, em que ela suplicava comida caseira.
Pensava que eu era um animal, que às vezes engolia qualquer porcaria pré-fabricada, uma coca cola uma mídia sangrenta, e talvez depois caia febril numa cama que por mais limpa abrigava milhares de ácaros... E no dia seguinte, me cabia um mundo absurdo de cumprir metas.
Para manter o meu emprego. Isto, não me sustentava a alma.
Juliana se viraria caçando insetos, talvez a minha ausência lhe devesse um breve adeus...
E Deus estivera presente neste suor, neste prato feito com amor, mesmo que fosse para servir um gato. Talvez este Deus esteja se manifestando nesses 40 graus, para que o poeta suporte a plenitude do céu.
Alba Simões


16/12/2012

Nua Diante de Deus

Era um sábado chuvoso, o telefone interrompeu as minhas corriqueiras divagações.
Do outro lado da linha, um vendedor de voz rouca e um tom de cinismo, me oferecia vantagens em comprar "Máscaras em Promoções".
Mas que diabos!!! - Pensei, nem chegara janeiro e já queriam vender adereços de carnaval?
Eu que sempre abominei esta festa, iria dar ouvidos para aquela bobagem?
Não quero nada - Respondi, e num surto de raiva,e desliguei o aparelho.
Minhas divagações mudaram de rumo, e no percurso inquieto dos meus pensamentos, ocorreu-me a estranha ideia:
- Por acaso poderia ser que aquele individuo pudesse me oferecer algo mágico, como um outro rosto, e com este rosto eu poderia fingir para eu mesma, ser outra?
Resisti a esta tentação transversal e turva...
Fui até a cozinha, fiz um café, sentei-me a mesa e fiquei a observar as frutas de cera que enfeitavam a fruteira.
Como seria experimentar o gosto de uma fruta de cera?
O que faziam ali aquelas frutas, estariam se mascarando para não serem devoradas?
Nada fazia sentido...Estava resolvida a retirar tudo que era artificial daquela casa...
Eu me deixo ser por enquanto.
Quero ser eu mesma!
Com esta solidão que me preenche, esta felicidade que eu invento.
As coisas que eu guardo neste vasto baú que chamamos de memórias...
Mas tudo era uma alegria disfarçada, como as máscaras de plástico e as frutas de cera.
E eu não admitia ser um disfarce!
A chuva estava feliz, aproveitei o momento propício e aconchegante
para fazer as pazes comigo, e me perdoei por não conseguir te esquecer.
Também  não tive medo de ver o meu rosto, apesar do cansaço que refletia...
E percebi que a máscara que eu usara, não estava fora de mim, o que estava fora de mim era tudo verdade, porque era o que eu sentia.
Constatei: O rosto, e o cansaço que refletiam no espelho não eram meus. 
Me senti nua diante de Deus.
Estava declarando o meu amor para a vida.
Estava aprendendo a viver sem a necessidade de possuir.
Vi coisas e pessoas tão reais, que não queria mais fechar os olhos...
Enquanto eu tentava compreende-las, eu simplesmente não existia...
Eu fizera uma grande descoberta sobre mim...
E  apenas chorei, sem pensar em mais nada.
E finalmente libertada, me senti em estado de glória e de 
volúpia... 
Eu estava nascendo!
Alba Simões

13/07/2010

O Aplauso de Deus



No cenário da vida, vejo dançar as estrelas.
O verso, a canção e o verbo.
Insetos cintilantes rompem os pântanos da solidão.
Tudo se comunica no universo
O silêncio também é sagrado, para que eu possa sentir:
A calma das florestas, o sono dos rios, o sonho da chuva.
Os domingos parecem durar mais, que  até podemos esperar...
A grande esperança nasce ao meio-dia...
Me mantendo inspirada como as crianças que são livres para tudo criar.
Imaginação ?
A noite vem encerrar esta cena, a cortina de mais um dia se fecha.
Este que jamais se repete !
Talvez eu possa ouvir o aplauso de Deus,
Pois estou rendida a  sua tamanha perfeição!


                                           Alba Simões