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27/11/2010

As palavras incompreendidas


Enquanto as pessoas são mais ou menos jovens e a partitura de suas vidas está somente nos primeiros compassos, elas podem compô-la juntas e trocar os motivos, mas quando se encontram numa idade mais madura, suas partituras estão mais ou menos terminadas, e cada palvra, cada objeto, significa algo diferente na partitura de cada um.
(A insustentável leveza do ser - parte 3: As palavras incompreendidas)
A insustentável leveza do ser
"O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento.
Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado”.
Pelo fato da vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro. Somos como atores convocados a representar uma tragédia (ou comédia), sem ter feito um único ensaio, apenas com uma ligeira e apressada leitura do script. Nunca saberemos, de fato, se a intuição que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou não.
Não há tempo para essa verificação.
Por isso, precisamos cuidar das nossas emoções com carinho muito especial.
Aquele que deseja continuamente "elevar-se" deve esperar um dia pela vertigem.
O que é vertigem?
Medo de cair?
Mas por que temos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada sólida?
Vertigem não é medo de cair, é outra coisa.
É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.
Milan Kundera