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28/02/2013

A ponte de um Segredo

Ao meu verso esquecido, naufragarei como um navio antigo.
Neste mar de lamentos, meu tormento da palavra que se cala.
Desta folha em branco que me olha e entre-olha, em desafio
Paradoxo desatino.
Grito mudo, do meu espírito escrito!
É bálsamo que me purifica, e me liberta em silencio!
Onde se esconde este poeta, que sem a palavra
se perde no tempo e sangra sem destino?
Rogo que venha-me o rebento, estou sem ar, sem sangue, sem vida...
Não é a inspiração...
Foge a árdua criação que me sacia, e como uma catarse me recria.
Neste branco desespero, sacrifício latente do oficio, que agora
é velado...
Eu suplico, a cada letra absorvida,a cada palavra fugidia, o perdão dos meus excessos de  amor,e a fúria  dos meus medos nelas contidas...
Dos meus enganos nas linhas tortas, das minhas metáforas equilibristas.
Se morrem os poetas que me habitam, deixo tudo...
Não farei mais da minha dor, a  ponte de um segredo...
E como apelo final deixo meu ventre e minha alma, como um ritual de oferenda.
Para que  eu possa parir nesta impiedosa folha, sentir ressuscitar como um milagre:
Um verso, uma canção, até a minha póstuma poesia.
E que ao nascer, ela simplesmente lhe sorria!

Alba Simões

01/06/2010

Versos Indescritos

 A noite é calma,
 Agonia se revela a alma.
 Todo desejo conta a solidão da lua,
 Distante emancipada.
 Imponente mulher ausente.
 Quisera eu estar demente a lhe confessar
 Meus insólitos segredos...
 Mas me deixa assim.
 No deserto da noite a divagar,
 Com tua beleza de séculos incontáveis.
 Sem hesitar, antes que amanheça.
 Que nada e ninguém me reconheça.
 E quando voltar ao ocidente, já estará cansada...
 De anoitecer desenhando a face.
 Aquela que não consigo descrever.
 Alba Simões