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01/12/2011

Horas Inexatas

Eu  não tenho o refúgio indébito da paz que eu queria...
Tenho comigo o degelo que a humanidade julga indigno.
A impressão que me fica, é que ao me atirar na fogueira estala uma esperança que já era só cinzas...
Ah, que estas horas inexatas me são dadas e eu as consumo como única vaidade que me resta.
O  apito de um trem que se distancia vem soar no meu ouvido como ruído vivo... É a música que fala da humanidade indo e vindo...
E eu quero sentir o meu corpo concedendo vida ao meu espírito, porque eu temo deparar com o abandono de ficar...
As masmorras que me aquecem são frias...
Cuida de mim criança que fui, eu não quero padecer esta noite. Se tuas mãos pudessem passar leves pela minha cabeça, mas eu só consigo te ver nos meus sonhos. Você está sempre me acenando com o olhar triste...
Se ao menos você me acusasse por aquilo que eu lhe fiz, mas eu não ouço a tua voz e teus olhos não me reprovam...
Então fica o vazio do adeus entre eu e você.
Cada segundo que passa nos distancia ainda mais...
Não há reencontro nem refúgio...
Eu silencio minh’alma e me entrego ser errante.
Já não há mais buscas, o trem apita ao longe...
Amanhã é a soma de muitas horas e ainda há corda no relógio!
( Monólogo do Personagem Nestor Adeus extraído da Peça O Último Vagão de Alba Simões )