Silêncio no cais.
Lembranças de um navio que nunca partiu.
Noite vasta, vagam os fantasmas na memória.
No sonho da lua,
dançam estrelas perdidas...
Nas cidades desertas,
dormem esperanças sob velhos telhados quebrados.
Desbotam estátuas dos deuses do desejo...
Amores inventados pela solidão.
Esqueço-te.
Dentro da estação,
no espelho do tempo,
na curva do destino...
Na próxima parada,
no vazio das palavras despidas...
Então o que restou?
Ausência...
De ti, de mim, por nós.
Meus equívocos explícitos...
Na poeira do vento,
em algum momento,
confundi os seus segredos com os meus...
Agora esta estrada me chama, eu vou.
Portal implacável, separando o que passou.
Foi quando parti para dentro de mim...
Pela primeira vez me reconheci.
E o silêncio se quebrou,
Vi o velho navio sumindo em alto mar,
As esperanças despertaram,
renovaram -se os telhados,
pintaram as estátuas...
Lembrei-me quem sou.
Corri até a estação,
embarquei no primeiro vagão.
E antes que o trem partisse, peguei o espelho, passei um batom.
Sem olhar pra trás, como uma vertigem, finalmente lhe disse: Adeus.

