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19/12/2010

Expressões & Impressões de Valéria de Melo Corrêa



Expressões e Impressões de hoje entrevista Valéria de Melo Corrêa.
Valéria traz em sua bagagem de vida e profissional uma trajetória de luta, coragem e determinação. A Escritora, Jornalista, Publicitária pós-graduada em Marketing nos E.U.A e também idealizadora diretora da expedição Amores no Velho Chico.
Com toda esta formação acadêmica, Valéria é uma pessoa sensível, simples e apaixonada pela natureza, e as histórias das pessoas que valorizam e amam a terra.
Natural de Belo Horizonte Valéria nos conta como nasceu sua paixão pelos livros, histórias e pela arte de escrever.

ARTE E CAFÉ: Valéria quando você descobriu sua vocação de escritora, como começou esta paixão pela literatura e de onde vem toda inspiração para seus maravilhosos contos?

VALÉRIA: Sempre tive paixão pelas letras. Ainda pequena, minha mãe contava que eu, com o jornal aberto nas mãos, chorava e reclamava: “eu não sei ler”. Determinada a aprender de qualquer forma, mexeu e me virei!  Tanto foi que, quando chegou à época de ir pra escola. 

(Nesta época eu já lia)


Cresci assim. Cutucando tudo, lendo de tudo, participando das “Palavra Franca” que eram um intervalo que faziam nas apresentações da escola. Eu sempre estava lá. E detalhe: sempre sozinha. Apresentava crônicas que lia, recitava poesias que gostava, expressava minha opinião sobre o tema apresentado. Se criticavam a minha ousadia ou impertinência, eu não tomei conhecimento, porque não dava ouvidos pra isto.
E foi por excesso de curiosidade que também estudei por cinco anos em um colégio interno de olho na variedade de cursos  técnicos (publicidade, bioquímica) e manufaturados (bordado, violão e piano). Também quis ser freira e por isto fiquei um tempo em um convento em São Paulo, coisa que obviamente não deu certo.
Aos 23 anos me formei, noiva de um moço que meu pai não aceitava o relacionamento. O grande problema é que, após o noivado – com festa e tudo -  eu engravidei. Como agir diante daquela situação? Naquele tempo, um fato deste era confusão na certa. Daí, com o diploma na mão e escondendo uma barriga de quatro meses, decidi fazer Pós-graduação nos EUA, especializando-me em marketing.
Ocorre Alba, que lá na terra do Tio Sam, na casa que me recebeu, eu não fui aceita por causa da minha condição (grávida). E agora? Como voltar pra trás? Depois de muita discussão ficou resolvido que eu poderia ficar desde que meus pais fossem comunicados e que eu assumisse o compromisso de ir ao médico toda semana. Claro, topei. Pensei, vou enrolar a coisa de contar em casa, mas o médico... Sem problemas! Enrolei coisa de um mês, mas eles arrumaram um tradutor lá e comunicaram meus pais. Resultado: eles, revoltados, pediram: não  apareça mais aqui !

ARTE E CAFÉ: Depois deste relato de Valéria, estudei dedicando semanas para elaborar um modelo de entrevista, no qual parto do principio do quase “off  " da parte do entrevistador, para que a exemplar  narrativa da entrevistada não seja bruscamente editada,cortada ou interrompida de forma que todo o conteúdo desta brilhante biografia seja mantida fielmente na sua integra.

ARTE E CAFÉ: A adolescência, a gravidez rejeitada pelos pais, a vida no exterior, a batalha contra o câncer.

VALÉRIA: Não pude voltar pra casa. Também não foi dito a eles a condição do câncer. Eu ria da ironia: estou sendo rejeitada por gerar vida! Se tivesse feito um aborto, ninguém saberia e eu seria aceita por todos!  A família que me recebeu, tornou-se a minha família, naquele período. John (parecia Fred Flintstone de olhos azuis) era assistente social da cidade (cargo muito respeitado) por isto tive acesso a muitos tratamentos. Porém, sem muita perspectiva de viver muito tempo. Ninguém me queria com filho. E já que eu tinha conhecimento em medicina, decidi  ir pra a Etiópia (lembra-se? era 1985, a música We Are the World, a campanha?) porque queria deixar um rastro bom no mundo.
Assim, um dia, ele foi me buscar em casa dizendo que eu receberia boas notícias. ... Volto um pouco. O interessante foi que, quando cheguei ao EUA, a minha bagagem foi totalmente extraviada. Perdi tudo. No fundo falso da minha mala, o enxoval do bebê. (A mania de ver sinais em tudo me fez entender aquilo como um recomeço). A única coisa que me restou foi o passaporte. Mas... voltando....
A moça era uma psicóloga. Começou dizendo que eu estava ali para exercer o segundo ato de amor. O primeiro era ter gerado vida. O segundo era deixá-lo viver bem. E pra isto, ela já tinha um casal perfeito e muito feliz para adotar o meu filho. O sonho veio à tona. O tapa na cara. Enquanto ela falava,  eu relembrava o sonho. A sala escura, o frio, o choro. O pai do meu filho que ficou no Brasil, estava na dele. Eu não tinha futuro nesta terra. Meu filho merecia ser feliz. Explicou as regras da adoção, a fotinha 3 x 4 que eu teria dele e o compromisso de contar toda a verdade pra meu bebe quando ele entendesse.
Foi a primeira vez que chorei na frente de todo mundo. Chorei muito. Ela me olhou como se nunca tivesse visto alguém fazer isto, e me deu uma caixa de lenços de papel. Voltei pra casa com um John silencioso (ele era muito brincalhão). Não demorou muitos dias pra que eu dissesse a ele e a esposa dele:
- John, eu vou morrer logo, não vou?
- Vai sim.
- Então eu quero morrer no Brasil, falando “ai!” em português. (em inglês é Ouch!)

ARTE E CAFÉ: A volta para o Brasil, o sofrido ingresso para um convento, as pressões do preconceito, o trabalho pesado e quase escravo. Valéria estaria ali pagando por seus pecados?

VALÉRIA: Myrce no aeroporto em Nova York debaixo de uma neve de lascar e embarguei de volta pra o Brasil! Liguei pra casa (Brasil) avisei que desceria em São Paulo. Minha mãe foi seca: “você quem sabe”. Lembra do convento? As freiras arrumaram um lugar pra eu ficar em uma casa na capital. Viajei de avião com quase nove meses de gravidez sem ser notada, porque eu pesava menos de 55 quilos (meço 1,63)
E foi assim: no dia 15 de Abril de 1985, com um bicho de pelúcia nos braços, desci no aeroporto internacional em SP, sem nenhuma esperança de rever minha família. Enquanto eu esperava autorização pra entrar no país, vi, pelo vidro, minha mãe lá fora. Larguei a fila que estava e corri em direção a ela. Mas bati com a cara no vidro. De lá, gesticulei e ela me viu. Eu sentia tanta saudade, queria tanto, que ali mesmo arriei no chão. Não tive pernas. Foi um policial quem me pegou no colo levando-me lá pra perto dela. A reação da minha mãe? “Que brincadeira é esta que você esta grávida? Nem barriga tem!”
A casa era um lugar mantido pela Sociedade das Damas de Caridade. Imagine: um casarão antigo, adaptado por doações, com grandes tablados nos corredores, e por onde as senhoras da alta sociedade levavam suas filhas e amigas para exercitarem a bondade. Imaginou? Era uma merda (com o perdão da palavra). Meninas vinham me ensinar como colocar fraldas. Com segurar um bebê?A mulher garantiu a minha mãe, que ali eu “pagaria” pelo que fiz. As funções de lavar banheiro e lustrar os vasos eram minhas. Eu não abria a boca. Mas um dia joguei a boneca, usada de para dar aulas, pela janela. Foi só chegar à minha vez de repetir a ação (colocar fraldas) que a bichinha, oh, voou!
Um dia tive que voltar ao quarto (várias camas) pra pegar a minha toalha e descobri que a bagagem da minha mãe não estava mais lá. Na loucura que eu senti, nem me dei conta de quem tentou me segurar. Aos safanões, me desvencilhei daquelas mulheres e achei a minha mãe em uma sala, curvada sobre o telefone, falando com meu pai. Naquele momento ela recebera a noticia do câncer e chorava com ele. Foi minha redenção. Transferidas (ela e eu) pra um hotel (era tipo o asilo dos artistas) até que no dia 11 de maio, com 1quilo e 600 gramas meu filho nasceu. Do tal câncer, foi retirado do meu útero, o pedaço infeccioso. Nesta época eu tinha 24 anos.

ARTE E CAFÉ: A reconciliação com o pai, a vontade e a conquista da sua independência pessoal, profissional e financeira. As várias profissões pela qual passou. O casamento, o divórcio a luta para criar os filhos.

VALÉRIA: Meu filho nasceu a criança mais sorridente que já vi na minha vida. De trato feito com meus pais, prometi não voltar pra terra que eles moravam e dizer, em caso de encontrar um conhecido, que eu tinha adotado uma criança. (quando novinha trabalhei muito em orfanatos, creches e tal. Aquilo colava fácil). Daí, meu pai, comprou e mobilou um apartamento em BH, mas não quis me ver.
Lembra da música Pai Herói (Fábio Júnior?).  Pois eu gravei aquela música em uma fita cassete e mandei pra ele. E foi por aquela música que a vida foi, aos poucos, voltando ao normal. Inclusive a volta do meu pai a minha vida.
O apartamento era um luxo só. E eu, querendo ser independente, fazia salgados para fora.  Tinha aparência de ser a melhor, porque todo mundo achava que o apartamento era renda do meu trabalho. Trabalhava como secretaria na COHAB (Santa Efigênia), meu filho ficava na creche o dia todo e a noite eu fazia salgadinhos para festas e casamentos. O plano cruzado quase me faliu nesta profissão, quando as pessoas escondiam as coisas, lembra disto? De certa vez, fiz salgados pra uma festa que ficaram um horror por conta disto. A dona da festa acabou comigo!  Por isto, aceitei uma encomenda de fazer todos os salgados de um casamento inteiro e só depois de receber o pagamento e os elogios, abandonei a profissão de salgadeira. Mas fiz primeiro o melhor de mim!
Com o tempo acabei voltando pra cidade dos meus pais. A alegria do meu filho era uma coisa de outro mundo. Derrubou todas as barreiras do preconceito. Coisa de 4 anos depois e me casei com o meu primeiro namorado (não o pai do meu filho). Meu filho foi meu pajem.
Mas o casamento não deu certo. Ele queria ser meu dono! Eu muito comunicativa, e ele odiando isto. (Acho bom você ficar quieta, eu não nasci pra ser o marido da professora!, dizia) Quando aos 4 meses de casada, engravidei, e a vida estava insuportável ao lado dele (trancada em casa, muitas agressões verbais e tal) eu fugi de casa. Mais uma vez, uma gravidez sozinha!
Morei um tempo com meus pais, fui secretária de uma entidade comercial (me obrigaram a assinar papeis pedindo demissão antecipada, porque estava grávida) e lá fiquei até um dia antes da minha filha nascer. Meu marido não apareceu. E eu tive duas paradas cardíacas no dia do parto. Penso, pela dor da separação. Mas, minha menina nasceu  com a boca redondinha e da cor de uma rosa.
Eu teimosa, não aceitei ajuda dos meus pais. Ali, no hospital mesmo, decidi que levaria minha vida como mãe de família e arcaria com os meus passos. Assim, mãe de duas crianças (uma de 5 e outra recém nascida) morando em um apartamento pequenino, mas meu, comecei a vida de verdade.
No dia da audiência do tal divórcio questionei a juíza: Eu não quero dinheiro, pensão ou qualquer coisa do estilo. Quero que a senhora coloque ai no papel que ele tem que dar amor, tem que ligar, olhar boletim escolar. Vir nas apresentações de escola, buscar pra passear, dar beijinhos e  contar histórias. Tem jeito de escrever isto ai?
Não, não teve!  E nunca me divorciei. Se for olhar nos tais papeis, eu sou casada, até hoje.

ARTE E CAFÉ: Valéria você abriu mão de toda dependência financeira dos seus pais e do seu marido.
Como foi enfrentar a vida sozinha, por quais profissões você passou para o seu sustento e de seus filhos?

VALÉRIA: Sempre trabalhei sozinha. Alias, quase sozinha. Montava as equipes pra cada tipo de trabalho. Comecei fazendo roscas e servindo marmita em casa, comprei um PC. Era um tal de XT. Enquanto ninava a minha filha, estudava os comandos de DOS pelo F1. Veio Windows 3.0, passei a dar aulas. Depois o Corel. Depois o Pager Market. E por ai foi. Sempre aprendendo pelo F1 e dando aulas como se fosse formada. Dava até 5 aulas no mesmo dia. De domingo a domingo. Todo mundo queria aprender, mas queria no quadro e por isto fui ganhando espaço.
Ágil, criava peças publicitárias de um jeito que ninguém tinha feito. Nunca recusei um serviço! Ganhei nome. Montei a primeira agência de publicidade da cidade, uma empresa com o nome Banco de Idéias. Meu pai questionou “como se pode vender algo que não se toca?”.
Trabalhava muitas madrugadas com meus filhos nos colchonetes ao meu lado. Muitas vezes. Criei várias peças publicitárias até montar uma mini gráfica. Fazia promoções que parava toda a cidade, de datas comemorativas, passando por campanhas políticas a shows e ventos culturais.  Montava as equipes diferentes, fazia a coordenação, e não perdia o serviço! Sempre fui sozinha. Mas isto teve um preço.
Um dia, já com uma fileira de computadores interligados (586 e tela colorida!) Em cada um, um serviço ligado a impressoras a laser preto e branco, coloridas, envelopadoras, um sujeito qualquer provocou uma pane e eu perdi tudo o que tinha. Assim mesmo. Pela manhã, liguei as maquinas e tudo foi pro ar, em curto circuito.
Levei a sério a expressão, uma porta se fecha, mas as janelas...
Minha mãe tinha uma loja em uma cidade pequena e queria alguém com conhecimentos específicos pra dar baixo na papelada e fazer os acertos. Eu estava desolada quando ela me pediu este favor. E eu fui.
Era uma loja de produtos veterinários. Olhei aquilo e pensei. Se eu mexer aqui, eu levanto esta loja! Minha mãe disse: 24 títulos protestados. Se pagar os títulos, a loja é sua. Assim, vim morar na roça, e me especializei em pequenos animais. O slogan: Aqui a gente trabalha pra cachorro!
Mas a loja era pouco pra minha cabeça. Ficar atrás de balcão? Nem pensar. Criei um jornal, virei diretora da TV da cidade vizinha, professora de marketing, gerente de loteamento.  Me meti em confusões ao ir (sozinha) em encontros, como os do Sem Terra e subir no palanque pra perguntar no microfone,  se eles tinham tantos direitos, quais eram seus deveres? Sai de lá escoltada! Hahahaha.
Porém meus filhos não se adaptaram. Cresceram. Adolescentes, cidade sem recursos... Foram embora. Um a um...
Meu blog conta muita coisa. Não invento histórias quando escrevo. Apenas, preservo alguns mês. Está  tudo lá.
 (Valéria com os filhos )



ARTE E CAFÉ: Como nasceu a idéia para o projeto do site: Amores no Velho Chico?

VALÉRIA: Com a morte dos meus pais, eu entrei em pânico. Depois o fim de um relacionamento me colocou em xeque-mate. Já existiam os rabiscos do projeto que fiz junto a esta pessoa. E quando eu me vi, triste e decepcionada com os acontecimentos que me envolveram nesta época, resolvi virar a mesa de verdade.  Eu não nasci pra ser nada neste mundo, como desde criança sempre quis! Por isto dei todas as asas à expedição Amores no Velho Chico.

O fato de eu ir ao médico toda semana me deu uma chance. Eu tinha câncer e não sabia. Lembro-me de um sonho.
Sabe aquela cena do quadro de Da Vinci em uma mesa com os doze apóstolos? Pois eu sonhei aquilo: Meu pai ali sentado minha mãe em pé, do lado direito dele, e ele brigando comigo que estava em pé em frente a eles. De repente, o tapa no rosto! Não mais que de repente, um choro, naquela sala escura. Eu fiquei procurando quem era e quando vi, em um cantinho, era eu mesma, agachada. Acordei com meus soluços.
Quero tentar mostrar ao mundo o valor das pessoas. Buscar o bem pelo bem.
Montei uma estrutura com poucos recursos (não sou empresa), mas a expedição é digna de respeito. Foram 8 meses de muito trabalho, muito vai e volta. Muito recomeço.
Minha equipe, em sua grande maioria, virtuais. Eu não os conheço pessoalmente. Além dos meus filhos, Márcia Canêdo e o cinegrafista, o resto é virtual.
Assim, vou percorrer, dentro de um Troller, mais de 4 mil quilometros  para encontrar pessoas diferentes. Vidas diferentes histórias reais de garra e adaptação neste mundo. Vou a busca das pessoas para que estas possam se ver como parte deste mundo.

ARTE E CAFÉ: Valeria por Valéria?


VALÉRIA:Você me fez recordar partes da minha história no momento que abandono tudo pra viver outra etapa da minha vida.
Agora, ao me lembrar da mala perdida no aeroporto, dou risadas da bagagem que terei que levar comigo nesta expedição. Um quase nada em tralhas, pois além do físico, terei que ter um coração totalmente aberto para a nova vida que surge diante de mim.
Continuo sozinha. Mas, quem sabe, em uma curva do rio, eu encontre um braço que queira ser um abraço?

ARTE E CAFÉ: Querida Valéria, obrigada por me conceder a honra e o privilégio de registrar aqui a sua fantástica história de vida pessoal e profissional.
Um grande beijo e todo sucesso que você merece !

24/11/2010

Expressões & Impressões de Beth Muniz

 
Expressões & Impressões de Beth Muniz
Beth Muniz é uma mulher que dispensa apresentações para quem já a conhece.

Autora da renomada página na Web: Travessia


A  inspiração para o título veio da musica de Milton Nascimento. Precisamente da melodia.

Fez outra Travessia com essa melodia, e chegou ao Top Blog. 100, segunda fase.Para quem ainda não a conhece, este espaço vai mostrar um pouco da sua história de vida, sua luta pelas causas sociais, políticas e culturais.

Beth Muniz é minha parceira na blogosfera, uma pessoa que eu tenho um grande respeito, admiração e amizade.

Mulher de fibra, onde as dificuldades financeiras da infância não a fizeram desistir de continuar firme com suas convicções.

Seus artigos evidenciam a sua perseverança. O espaço Travessia publica matérias sobre leis dos direitos humanos, éticas sociais, manifestações e editais de concursos artísticos no Brasil e no mundo.

Destacando matérias relevantes sobre as conquistas dos direitos humanos.

Já morou em Cuba e na Nicarágua. Viveu algum tempo em Copenhagen cidade que considera maravilhosa. É fã entre outros de Mandela, Steve Biko, Martin Luther King, Chico Buarque, Maria da Penha (a da Lei), Mercedes Sosa, Elis Regina, Leci Brandão, Ivone Lara, Cora Coralina, Cartola, Cesária Évora, Maikovsk e Lula.

Atualmente Beth Muniz vive em Brasília, no chamado Plano Piloto. Trabalha no Ministério do Planejamento. É servidora de carreira, portanto, devidamente concursada. Da sua mesa de trabalho convive com as manifestações pró e contra ao governo. Para ela viver em Brasília é sofrer por antecipação. A sensação que se tem, é de se estar bem perto do poder e não deter o poder. Não queiram viver isto...( completa )

A sua infância vivida a maior parte nos bastidores da extinta Tv Tupi, Sua mãe era artista e circense.

Viveu em um Circo e nos bastidores da TV Tupi - Canal 6,  até a idade de 10 anos.
Era a época das Teleteatros ao vivo.
Foi nesta época, que começou a entender o que é viver em comunidade, dividir e partilhar tudo com todos. Vivia pendurada no trapézio.

A hora mais triste era a desmontar as lonas. A mais feliz era quando chegava  na próxima cidade, fazendo novas amizades.

Casou-se aos dezesseis anos de idade contra a sua vontade, aos dezessete já impondo sua própria decisão divorciou-se.

Na adolescência foi   perseguida pelo regime militar e passou a viver na clandestinidade.

Sem pudor de dizer que não conheceu seu pai biológico, mas se orgulha pelo fato da sua mãe ter tido uma relação fora do casamento, pois seu padrasto era um militar reacionário.


ARTE E CAFÉ : Beth como foi viver a adolescência em pleno regime militar ?

BETH MUNIZ: Aos dezoito, entrei para uma organização clandestina e vivi um “certo” tempo na sub-clandestinidade. Depois que entrei para a clandestinidade, tive que parar de trabalhar e estudar. Terrível...


ARTE E CAFÉ : Como foi esta experiência de viver na clandestinidade ?
BETH: Nossa, era muito difícil. Tínhamos que estar sempre preparados para ser presos, mortos ou sair do país. Era como se você vivesse, mas não existisse enquanto pessoa. Sem identificação jurídica, sem paradeiro certo e nome falso (o chamado codinome. Parecia aquela música do Caetano Veloso: “Sem lenço e sem documento”  Nesta música do Caetano tem um detalhe que muitos desconhecem. O sol a que ele se refere não é o Astro Rei. Mas, um jornal chamado Sol que fazia a luta de resistência às informações oficiais, e que algum tempo depois teve a sua redação destruída pelo regime. O meu codinome era Marcela. Tempos depois quando nasceu a minha primeira sobrinha, com a concordância da minha irmã, coloquei este nome nela. Quando cresceu lhe contei o motivo. Ela adorou...

ARTE E CAFÉ: Conte um pouco sobre, o que esta experiência lhe despertou ?

BETH: Ah, a certeza de que lutar por liberdade em todas as suas dimensões é algo que não se pode abrir mão. Desde que a sua liberdade não interfira na liberdade do coletivo e da sociedade. Refiro-me ao conceito pleno de liberdade e não a libertinagem. Liberdade de poder ir e vir e expressar os nossos pensamentos sem censura. Sou contra a censura. Mas, também sou contra a que a grande mídia aja sem a mínima responsabilidade social com a verdade dos fatos, e trabalhe apenas com a versão que lhe interessa. Sou favorável a regulamentação do setor. Regulamentar não significa censurar. Esta é uma falsa polêmica que só interessa a alguns e em algumas situações específicas.


ARTE E CAFÉ: Quais manifestações artísticas você destaca como um grito de liberdade de expressão, que entraram para a memória histórica político-social do Brasil.

BETH: Nossa querida Alba, que grande pergunta!. Com ela você me proporciona uma grande viagem no tempo. Ou melhor, fazer uma grande Travessia, o que adoro. ( risos )

O espetáculo Opinião em 1965 no Rio de Janeiro, após o golpe militar. O Grupo de teatro carioca criou um movimento de resistência, e núcleos de estudos e difusão da dramaturgia nacional e popular, a partir do Centro Popular de Cultura da UNE – CPC.
Contou com participação de Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão e (substituída por Maria Bethânia), sob a direção de Augusto Boal. Uma das mensagens que mandavam para os militares era de que poderiam conviver juntas e pacificamente as culturas e artes do morro (Zé), do nordeste (João) e da classe média-alta carioca (Nara)

ARTE E CAFÉ: Um filme ?
BETH: O meu filme preferido em qualquer ocasião é Tomates Verdes Fritos. Pela temática, cenário, iluminação, figurino e roteiro. Ah, também tem as magníficas interpretações de Jessica Tandy e Kathy Bates, com o seu grito de liberdade “Tuanda!”. Também gosto muito do filme Em Algum Lugar do Passado (maravilhoso). Quanto mais vejo mais me apaixono. Tudo é belíssimo.

ARTE E CAFÉ: Livros?
BETH: Olga, O Príncipe e o Pequeno Príncipe ( para equilibrar.)

ARTE E CAFÉ: Autores prediletos ?
BETH: Patativa do Assaré,  Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes.

ARTE E CAFÉ: Dramaturgos ?
BETH: Augusto Boal e o seu Teatro do Oprimido, exibido nos espaços públicos e interagindo com os expectadores que em determinado momento são colocados no centro da cena. Uma outra lógica...uma outra forma de fazer teatro.

ARTE E CAFÉ: Músicos ?
BETH: Milton Nascimento, Chico Buarque e Pixinguinha.

ARTE E CAFÉ: Cineastas ?
BETH: Pedro Almadôvar e François Truffaut.

ARTE E CAFÉ: Um livro de cabeceira ?

BETH: O Pequeno Príncipe. É suave e me orienta no que é essencial e invisível aos olhos.


ARTE E CAFÉ: Atualmente você acha que as artes ainda desempenham um forte papel para as mudanças do nosso cenário social ?

Com a conquista da democracia o que você acha que mudou?  

BETH: Não tenho dúvidas quanto a isto. Veja: durante muitos anos o Estado Brasileiro (não me refiro a governos) teve por concepção de que arte poderia e deveria ser desenvolvidas apenas pelos “iluminados”, desconhecendo completamente a arte popular. A arte deve representar todas as manifestações culturais. É a expressão maior de um povo e de uma nação. Não pode e não deve ser enquadrada, esquematizada e manipulada. Não deve servir a apenas para alguns seguimentos da sociedade. Não pode ter carga ideológica e ser partidarizada. Deve ter investimento público e privado. Deve chegar às escolas e aos mais variados rincões da sociedade, no campo e cidade. “Deve ir onde o povo está” (mais uma vez Milton!).

Vou citar três, todos desenvolvidos pelo Ministério da Cultura, em parcerias:
Os Pontos de Cultura: Potencializam iniciativas e projetos culturais já desenvolvidos por comunidades. Fomentam a atividade cultural, aumentam a visibilidade das mais diversas iniciativas culturais e promovem o intercâmbio entre diferentes segmentos da sociedade.
Os Cine Mais Cultura: São espaços para exibição de filmes com equipamento de projeção digital, que exibem obras brasileiras, em DVD, ainda teem oficinas de capacitação cineclubista.

Espaço Mais Cultura: Construção, recuperação ou ampliação de espaços já existentes – tanto nas periferias quanto nos centros urbanos. Os espaços são vocacionados a motivar a frequência de jovens, famílias e promover a integração, das pessoas e das artes.

ARTE E CAFÉ: Sua opinião sobre preconceitos. Você já  foi vítima de algum ?

BETH: Não suporto preconceito. Seja em que dimensão for. Para mim se compara aos crimes hediondos. Sim. Por ser filha de uma mãe que estava presa e acusada de terrorista, sofri muita descriminação, preconceito e perseguição. Na verdade, vivi como proscrita durante muito tempo. Mas, sobrevivi e não faço disso uma eterna amargura para o meu viver. Muito pelo contrário. Aprendi também a ser mais tolerante, sem, entretanto, ser benevolente quando identifico um ato de crueldade com pessoas ou animais (adoro os bichanos). O preconceito que mais me doía era quando me chamavam de Maria Machona, por que gostava de usar calça cumprida muito mais que vestido. Que maldade! Eu era apenas uma criança... Se fosse hoje eu metia o Estatuto da Criança e do Adolescente neles, combinado com a Lei Maria da Penha!  ( Argumenta as gargalhadas )

A mulher e os espaços de poder:
Não me refiro ao poder tradicional e instituído apenas para afirmar e reafirmar o domínio do gênero masculino sobre o feminino. Mas a ocupação dos espaços de poder e de direção em vários níveis. No parlamento, executivo, judiciário, nos partidos políticos, nas empresas, na academia brasileira de letras, nas direções dos espaços culturais e artísticos, associação brasileira de imprensa, sindicatos e instituições em geral.

Eu costumo dizer que os “direitos humanos não serão realmente humanos”, sem o reconhecimento do real papel e da importância da figura feminina na construção da sociedade.

ARTE E CAFÉ: Um bicho
BETH: Um bicho, um bicho... Bem, como moro em um apertamento e coerente com a minha história de vida, acho desumano confinar qualquer ser vivo e especialmente os animais. Assim, tenho um cachorrinho que ganhei em 2.002, chamado Lulinha (não riam, que maldade ...), e um macaco chamado Chicão. Todos de pelúcia. É uma das minhas muitas idiossincrasias, o que fazer? Nem Freud explica! . Mas tem um lado bom: Não reclamam e nem cobram nada!
 ( risos )

ARTE E CAFÉ : Um mito ?

BETH: Bem querida Alba, você já ouviu aquela música cantada pelo Zeca Pagodinho, “Você sabe o que é caviar”? Pois é, nunca vi nem ouvi, só ouço falar: Deus”! É o grande mito divino para mim. Às vezes me pego perdida entre as duas teorias. A da evolução e a Criacionista. Não professo nenhum credo religioso, mas, por formação familiar, aprendi a crer que Deus existe. Fico assim então, com a minha crença, mas sem religião definida.


ARTE E CAFÉ : Uma mania ?

BETH: Ah! É mais que mania. Chega a se um Toque!
(risos) Mania de cumprir horário. Com esta pergunta, faço outra travessia. Na época da ditadura não cumprir horário poderia significar colocar em risco a vida de muitas pessoas. Você tinha que cobrir um Ponto (local onde alguém lhe esperava), na hora Omega (momento exato), esperar cinco minutos. Se o seu contato não aparecesse, fugir rapidamente do local. Nem um minuto a mais ou a menos. Coisa de doido? Não, coisa de pessoas idealistas.

Até hoje carrego comigo esta coisa de ser britânica no cumprimento dos horários. É claro que sem aquela rigidez... Mas, prefiro esperar a deixar alguém me esperando.

ARTE E CAFÉ: Medo ?
BETH: De morrer! A vida é tão boa... Como diz a Violeta Parra, “Gracias a la vida, que me ha dado tanto...” Assim, só nos resta saber viver, e viver da melhor forma possível. Mas, infelizmente, a morte é inevitável... fazer o quê?!

ARTE E CAFÉ: Um grande  amor ?

BETH: O primeiro e maior é pela minha mãe. Outros, de relações afetivas e amorosas se foram. Mas deixaram marcas que carrego até hoje. Procuro me lembrar sempre dos bons momentos... Os maus, quando aparecem, deleto. Não acredito em grande amor. Acredito apenas no amor e “que seja eterno enquanto dure...”


ARTE E CAFÉ: Um arrependimento ?

BETH: Quem não os tem? São muitos. Mas vou falar do lado profissional. O meu é não ter cursado Direito. Acredito que tenho perfil e experiência prática para exercer a profissão. Na época, preferi Serviço Social. Não me arrependo. Mas, com a formação em direito poderia hoje estar ajudando juridicamente, mais que socialmente, e com mais propriedade, na implementação da lei Maria da Penha. A quem, aliás, tive a honra de conhecer. Tenho por ela uma imensa admiração. É uma mulher que já faz parte da história recente do nosso país, na área de combate à violência contra as mulheres.


ARTE E CAFÉ : Um sonho ?

BETH: São muitos importantes em nossas vidas. Eu tenho um sonho que é coletivo: Ver o nosso país se transformar cada vez mais em uma grande nação, com inclusão social, valorizando a educação, as artes e a cultura em todas as suas manifestações. Sou apaixonada por artes. A arte é libertadora por essência. O DNA do artista é indelével, se realmente tem vocação e amor pelo que faz, sua arte não morre nunca, apesar das dificuldades quem ainda enfrentam.


ARTE E CAFÉ: Um grande momento ? Conte um pouco sobre.

BETH: A minha formatura em Serviço Social. Era tudo muito formal: Roupa, sapato, toga, foto, etc... Eu era a oradora da turma, por eleição.

Mas, não tinha a roupa adequada. Então, peguei a melhor que havia no armário e vesti. Não tinha nada há ver com a ocasião... Montei no meu espanador de alfalto que era uma moto chamada cinquentinha e fui. Chegando ao auditório, subi ao local indicado e ouvi um Oh! prolongado. Li todo o texto (escrito coletivamente pela turma), e ao final, sem fitar a platéia, fiz um discurso focado no papel do Assistente Social na sociedade. Ao terminar, fui aplaudida de pé até pelos velhinhos professores conservadores. Foi demais! Ali, naquele momento, ao não me enquadrar, percebi que estava no caminho certo. Talvez, por isto, já pressentindo a minha vocação, não tenha optado pelo curso de direito. ( Beth argumenta com muito humor )

ARTE E CAFÉ: Uma frase:

BETH: Minha frase preferida é: “Não tenho pressa. Degusto a vida com calma e carinho”.

ARTE E CAFÉ: Beth Muniz por Beth Muniz
Uma brasileira feliz e que nunca perde a esperança que dias melhores virão.
Nem que seja na velocidade de uma carroça. ( risos )

ARTE E CAFÉ: Querida Beth eu tenho a honra de agradecer a sua entrevista.Como você registra esta experiência ?


BETH: Nossa, querida Alba! Nunca imaginei que esta minha travessia pudesse me proporcionar tamanha alegria e honra. Ser entrevistada pelo blog Arte e Café é de dar um friozinho no estômago. ( risos ) É muita responsabilidade! Fiquei deveras preocupada. Espero sinceramente que tenha muito sucesso nesta sua travessia artística e cultural. Um grande beijo e obrigada pela oportunidade. Sou sua fã! Nunca é demais falar, não para mim.
Espero que os leitores gostem !

Obrigada!

ARTE E CAFÉ: Querida Beth eu é que agradeço, você ter disponibilizado parte do seu tempo para  este  novo projeto do Blog Arte e Café. Este papo descontraído, sincero e sábio que nos proporcionou novos conhecimentos.
Grande beijo e muito obrigada !

28/10/2010

Arte e Café: Entrevista com Samanta Fernandes Modesto

Hoje o Arte e Café inaugura sua sala de entrevistas Expressões & Impressões

O objetivo destas entrevistas é ampliar a interatividade com internautas, amigos, leitores, escritores e blogueiros.
Este espaço se destina a exposição de novas idéias, pensamentos e opiniões sobre vários temas.


O tema de hoje é blogosfera e a minha convidada é Samanta Fernandes Modesto
Autora do Blog Vida Real da Sam

( Blog com conteúdo pessoal, opiniões e impressões sobre as pessoas e o Mundo )

Samanta é uma blogueira amiga, que tem apenas três meses na blogosfera e já conquistou o carinho de centenas de pessoas
nas redes sociais onde agrega seus textos.
Deixa um carisma especial por onde passa, 
qual será o segredo de Sam ?
Bem aqui eu vou tentar desvendar para vocês, algo mais que ainda temos curiosidade de saber sobre Samanta.
Além daquilo que ela já declarou com toda convicção publicamente.

Para quem ainda não a  conhece ela Ama a Internet confiram aqui : Internet Eu Te Amo ! 
Dá dicas para quem está começando na blogosfera: Não seja um mendigo Virtual  para saber mais acessem : Não Seja Um Mendigo Virtual 

Para os engraçadinhos de plantão, aviso que ela pratica Artes Marciais e é apaixonada pelo marido.
E ainda mais, sua delicadeza vai além dos costumes tradicionais das patricinhas pois ela odeia fofuchas.

Quer saber porque ? Leia este artigo: Eu odeio coisas fofuchas, frufruzinhos e afins ! este é um texto que revela meus "estranhos" gostos... Enjoy it e conheça um pouco mais sobre mim ! Ah e não deixem de me amar depois disso !! ;  Eu Odeio Coisas Fofuchas ! 

ARTE E CAFÉ: Samanta nestes artigos que você escreveu evidencia a sua marcante personalidade e autenticidade, você diz o que pensa? Se considera uma pessoa de postura irreverente ?
SAM - Olá Alba querida ! 
Nunca me vi desta maneira, sempre achei que fazer e falar o que se quer e pensa ( lógico, sempre com respeito e educação )
eram coisas naturais; acreditava que todos eram autênticos e transparentes; depois de alguns anos percebi que nem todos agem desta maneira, justamente porque fui muito criticada e também amada por esta característica.
ARTE E CAFÉ: Porque blogueira e para quem blogar ?
SAM - Blogueira porque senti necessidade de me comunicar num momento de solidão e fazer um blog foi quase instintivo, talvez porque eu anteriormente tenha dado esta idéia para outras pessoas.
Blogger primeiro para mim, meu blog são as conversas que gostaria de ter, mas naquele momento não há ninguém por perto e depois para todos os que apreciarem e se identificarem com os textos, para os amigos, etc..
ARTE E CAFÉ: Você busca um público alvo, ou seus leitores tem vários perfis ?
SAM - Não procuro atingir somente um público alvo, mas com certeza como sigo esta linha de texto pessoal, acabo filtrando os leitores e adquirindo um público mais parecido entre si.
ARTE E CAFÉ: Atualmente  quanto tempo em média você passa conectada na internet ?
SAM - Como estou em casa, meu note fica ligado em média 10 horas  por dia, eu faço tudo pela Internet, converso com meus familiares que estão longe, com o marido que está no trabalho, com os amigos, procuro emprego, participo dos blogs, orkuteio, twitto, dihiito, me informo, escolho onde ir, como ir, pesquiso até o menu do almoço de domingo kkkk
ARTE E CAFÉ:  O mundo Virtual na sua opinião é melhor, igual ou pior que o real ?
SAM - Nem melhor, nem pior, nem igual, são bem diferentes e distintos, cabe a nós saber aproveitar as delícias de cada um !

ARTE E CAFÉ: A melhor experiência vivenciada por você ?
Conte um pouco sobre ? 

SAM - Difícil citar uma só, até porque minha filosofia de vida é que os momentos simples do dia a dia é que nos fazem felizes, eu não preciso de muito pra ser feliz, não sou ambiciosa ( tá isso pode ser um defeito pra alguns...) mas é assim que eu sou. Então todos os momentos felizes que vivi e vivo juntos fazem esta "Melhor experiência". :)
 ARTE E CAFÉ: E a pior experiência ? Conte um pouco sobre
SAM - Bom, todos temos problemas e momentos ruins, mas o mais recente foi a 2 anos quando me mudei para SP, a adaptação em uma cidade onde as pessoas são meio distantes, onde ninguém se conhece, aliada a saudade, me fez e ainda faz chorar bastante às vezes, cresci muito aqui e gosto daqui, mas os primeiros meses foram de lascar !
ARTE E CAFÉ: Se a internet não existisse ( Deus nos Livre )
Qual outro meio de comunicação você usaria para se expressar ?
SAM - A pintura e os desenhos.
ARTE E CAFÉ:  Cite um meio de comunicação que você considera péssimo e porque? 
SAM - Creio que todos os meios de comunicação são eficazes e cumprem se papel, então aproveito pra dizer que odeio telefone !!! 
ARTE E CAFÉ: E  O que você faria para melhorar esta  mídia? 
SAM - Colocaria um dispositivo que avisasse para quem vai ligar, quando estamos disponíveis ou não.
ARTE E CAFÉ: Um livro ?
SAM - Todos os volumes de Ramsés de Christian Jacq
ARTE E CAFÉ: Um momento ?
SAM - Todos em que estive perto do Mar.
ARTE E CAFÉ: Quais destas artes : Literatura, Teatro, Música, Cinema, ou cite outra.
SAM - Música.
ARTE E CAFÉ: Política ?
SAM - Olha, podem me apedrejar, mas eu não gosto de política.

ARTE E CAFÉ: Você tem filhos ?
Sua opinião sobre o aborto ?

SAM - Não tenho filhos por opção, só os terei quando eu mesma puder cria-lós e não uma babá, se vou ter filho pra outra pessoa criar, então deixe que a outra pessoa o tenha, não é mesmo ! Já vi muitos filhos de amigas que falam e pensam como suas babás, é muito triste isso... E também quando puder proporcionar para eles uma vida digna e sem necessidades financeiras.
Sobre o aborto, acho que deve ser feito ( se for da escolha da mulher ) em casos de estupro. Mas de resto acho absurdo !!
Mulher que engravida é porque quer ! tem muitos meios de se evitar, então abortar é falta de vergonha na cara mesmo.
ARTE E CAFÉ: Drogas: Contra ou a favor da liberação ?
SAM - Sou totalmente contra as drogas, abomino quem as distribui, e não respeito usuário.
Nada neste mundo justifica se drogar, todos temos problemas e perdas, eu mesma já passei coisas horríveis e nem por isso as usei, acho sinônimo de fraqueza. Existem muitas maneiras de se divertir sem drogas e também de amenizar seus problemas.
Já ajudei pessoas a se livrarem das drogas e sei como elas maltratam não só quem usa, mas principalmente seus familiares...
Liberação, nem pensar !!!
ARTE E CAFÉ: Se o mundo estivesse sob sua total responsabilidade o que você faria para melhora-lo ? 
SAM - Meu projeto de salvação do mundo é o seguinte :
Psicoterapeutas nas escolas, acompanhando as crianças . Se tratássemos as pessoas desde crianças não cresceriam seqüela das, psicopatas, com baixa auto estima, poderíamos saber sobre os abusos a tempo, tratar todas as mazelas que nos fazem crescer infelizes ou birutas mesmo.
ARTE E CAFÉ: O que mais te chateia nas pessoas ?
SAM - Falta de educação e respeito.
ARTE E CAFÉ: Você se considera uma pessoa bem humorada ?
SAM - Não sou muito não, as pessoas do mundo virtual acham que sim, mas é porque eu trato todos com carinho e respeito, pois acredito que as pessoas merecem isso. Na vida pessoal eu sou muito resmungona às vezes, mas também tenho bom humor... o problema é que oscilam em segundos... 

ARTE E CAFÉ: Acredita em Deus ?
Religião: Uma crítica e um elogio 

SAM - Sim, acredito em Deus. Não sou praticante mas me identifico bastante com a Doutrina Espírita.

Não critico as religiões, são as pessoas é que distorcem tudo e fazem estas maluquices que vemos por aí no mundo religioso.
Um elogio, seria para os que seguem os ensinamentos de Jesus, um ao menos que seja, no seu dia a dia.


ARTE E CAFÉ: Uma escolha: Amor ou Dinheiro ?
Descreva um pouco sobre isto são coisas diferentes e incomparáveis, mas aqui eu vou ser chata vai ter que escolher um e abdicar outro

SAM - Amor com certeza, como já citei, não sou ambiciosa. É claro que dinheiro traz coisas boas, é ótimo poder comprar o que se quer e presentear, ter conforto. Se eu tiver, ótimo ! 
Mas sem Amor, não existe significado para a vida. Não só a amor conjugal e sim todo tipo de amor.
ARTE E CAFÉ: Dia , Tarde ou Noite ?
SAM - Noite.
ARTE E CAFÉ: Um momento inesquecível ?
SAM - Todos em que fui assistir minha Mamys lutar, meu irmão cantar e meu marido tocar !
ARTE E CAFÉ: A pessoa mais importante da sua vida ?
SAM - Minha Mãe
ARTE E CAFÉ: Um ídolo ?
SAM - Donald Trump !
ARTE E CAFÉ: Um arrependimento ?
SAM - Ter permitido que me fizessem mal.
ARTE E CAFÉ: A maior gafe ?
SAM - Aiii já cometi várias, mas nada muito grave, só aquelas mesmo de achar que alguém está grávida e oferecer lugar, quando na verdade é só gordura... perguntar sobre alguém que já morreu, etc.
ARTE E CAFÉ: Um triunfo
SAM - Aprender a lutar !
ARTE E CAFÉ: Alegrias ?
SAM - Sim, muitas ! é injusto escolher uma só ;)
ARTE E CAFÉ: Medo ?
SAM - De morrer, eu odeio a idéia de ter que morrer !!! Eu adoro esta vida, quero ficar aqui !!! Vou arrumar um escarcéu quando chegar no Além hehehe
ARTE E CAFÉ: Família ?
SAM - É tudo pra mim, meu porto seguro, minha alegria, meu amor.
ARTE E CAFÉ: Um sonho ?
SAM - Ser psicóloga, estilista, voluntária, eremita, mochileira, acho que preciso de mais vidas pra realizar todos ! kkk
ARTE E CAFÉ:  Samanta por Samanta

SAM - Eu sou uma incógnita para mim mesma... Creio que seria pretensioso e complexo me definir, então vou usar dois textos de Clarice Lispector que me identifico para esta questão :
"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre..."
"Sou como você me vê...
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania...
Depende de quando e como você me vê passar..." 


ARTE E CAFÉ: Querida Samanta eu tenho a honra de agradecer a sua entrevista.
Deixe registrado o que achou  e se gostou desta experiência.

"Alba querida, foi um imenso prazer e uma honra participar desta entrevista ! Foi um convite inusitado que me deixou imensamente lisonjeada e feliz !
Responder as perguntas foi delicioso e divertido, nestas atividades acabamos relembrando boas coisas e conhecendo um pouco mais de nós mesmos !
Obrigada por esta oportunidade, guardarei com muito carinho, como mais um momento inesquecível ! "
Espero que os leitores apreciem !
Eu adorei ! :)
Um grande Beijo
Alba
ARTE E CAFÉ : Confira os Links no Vida Real da Sam... e como ela disse: Enjoy it !!