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19/12/2015

Sabe aquilo que deixei?

Um tigrinho preto
abandonado e manco um filhote
Alimentei-o, e eu era nada
Num palco azul, quase que distante, surge um Leopardo
Anoiteceu um mistério de mãe, que deixa seu rastro e vaga...
Sabe aquilo que deixei?
Um espelho, uma vida, e sonhos adormecidos.
Um elo, um eco é um vazio de reflexos sem respostas.
Alba Simões

26/09/2015

Mundo Inventado

Deixo o mar esculpir a pedra, adormeço numa caverna sem tempo ou memórias.
Fico como uma ostra perdida, na dor que se faz a pérola.
Este é meu mundo real, onde habitam todos meus personagens: Os bons e os maus.
Os bons me aconselham a retidão e o silencio, os maus me convidam ao mergulho em busca de alimentos...
Muito longe ficaram as cidades perdidas, os loucos engaiolados na matéria.
Minha alma está em paz, há uma parede invisível que me separa.
Vejo tudo o que não me faz mais sentido: As coisas acumulam poeira, as coisas estão sempre sujas, e todas estas coisas tem um preço.
E neste mundo os loucos se deslumbram por coisa que brilham nas vitrines, coisas que depois de adquiridas perdem o brilho, em pouco tempo viram entulho, e como nós viram pó.
Porque este frenesi em adquirir consumir, construir, demolir é implantado pela Matrix de um sistema caótico.
E ainda tem as embalagens para o desespero dos consumistas, e as malditas etiquetas nos lugares mais impróprios das roupas.
Aquelas que coçam na nuca ou na lateral das costelas...
O aspirador de pó ligado, um celular tocando e os ponteiros te mostrando que você sempre está atrasado.

”A melhor maneira de sair do inferno é saber onde fica a porta da entrada”.


Alba Simões
( Mundo Inventado – Setembro 2015 )


19/03/2015

Ecos e Elos


Nos escombros do cotiano, há poemas soterrados...
Estamos todos cansados pra remover pedras seculares.
Sepultamos nossos ideais,vestindo as máscaras deste sistema cabotino.
E o que nos resta?
Deixar que a poeira se acumule as rochas intransponíveis?
Sair de soslaio pelas portas demolidas, voar pelas arestas das janelas sem noites...
Porque a razão aniquilou as serenatas dos cancioneiros...
Nossas ruas não tem mais esquinas, nosso palco fechou as cortinas.
Nossos amores uniram-se ao útil que lhes restaram.
Nossos amigos agonizaram num telefone sem fio.
Estou a beira, com um poeta que conheci sentado na soleira.
Ele apenas canta sem rumo,há muito tempo esvaziou-se dos elos,
e não leva nada na algibeira!


Alba Simões

07/12/2011

Passeios Incógnitos


 Era uma tarde chuvosa e no momento não estava atenta.
Eros passou despercebido...
A libido se fora com a canção.
Efêmeros cansados fizeram uma festa!
Não sei por que fui e brindei com os deuses insensatos...
Mas vi Psique e Narciso nos reflexos de um velho espelho meu...
E cansada, menos que Prometeu...
Gigantes deuses dissolveram-se.
Na meia luz do meu quarto, cercada das incógnitas sombras...
Pulsa alma, calma, ócio e solidão.
Quase em desespero acordo livre...
Distante de todas as lembranças e paixões!
 Alba Simões

06/10/2011

As Vitrines Utópicas

Onde escondemos nossas alegrias?
Talvez no silêncio, ou na lágrima contida...
Ou nas derradeiras horas não vividas.
Será que nos escondemos, ou apenas disfarçamos?
Seguindo pelos penhascos dos medos, nos escombros dos sonhos...
Esquecemos nossa coragem, e ficamos  desatentos nesta  berlinda.
Onde o amor se perde cada vez mais e mais...
Protagonizamos glórias como heróis, mas vamos
sendo derrotados como bizarros fantoches de um sistema
cabotino, sagaz e hipócrita.
E ao acordar nos sentimos como números ou peças emperradas numa engrenagem gigante!
Por detrás das cortinas, ao retirar a máscara pesada, percebemos nossa grande e deprimente atuação.
Personagens aplaudidos pelas mãos que nos manipulam.
E isto é a vida?
Nada para além desta marcha, patrocinada pelas vitrines das ilusões?
No cotidiano dos controles, acordamos com o remoto nas mãos, e não percebemos que há vida lá fora. 
Uma vida real, plena de possibilidades de nos humanizarmos...
Há belezas além destas fronteiras impostas, quase a nos robotizar...
E o tempo continua, sem freios...
Não há teclas Slow, ou pause na trajetória da vida!
Não podemos congelar a cena, então vamos vivê-las!
Da melhor maneira que pudermos.
Resgatar nossos verdadeiros sonhos, e arriscar todos os nossos sentidos!
Alegrias e tristezas certamente farão parte deste nosso percurso!
O maior desperdício consiste na triste acomodação de não pensarmos, agirmos e sermos tudo aquilo que realmente somos!
Alba Simões
Texto inspirado pelo filme: A Ilha
Sinopse: No futuro existe uma entidade utópica baseada na vida do século XX!, que procura recriá-la nos mínimos detalhes. Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) vive nesta realidade e, como todos seus residentes, sonha em chegar em um local chamado "a ilha", o único ponto não contaminado do planeta. Após descobrir que todos os habitantes são clones, que possuem a única finalidade de fornecer partes de seu corpo para seres humanos reais, Lincoln decide escapar juntamente com Jordan Two Delta (Scarlett Johansson).

28/07/2010

O que temos feito de nós

Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas. 
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, 
tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida
larga e nós a tememos. 
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação
para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, 
de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo 
o grande medo maior e por isso nunca
falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez 
de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingénuos para 
não rirmos de nós mesmos e para que no 
fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" 
e assim não ficarmos
perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos 
quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura. 
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia... 
Clarice  Lispector
Créditos: Vídeo por David Duarte