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01/08/2011

Olhares da Alma

Por entre estes cílios
o tempo passa.
Pupilas atentas, como as esperanças de uma infância...
Que viam um mundo gigante
agora distantes...
Como um trem que parte.
Levando para além dos sonhos.
Velhos amores, seus recortes e cores.
Retratos pintados na memória!
  
Ah, estas retinas cristalinas que muito já viram...
Sentindo no afã dos seus reinos inventados!
Alegrias e dores destas meninas que amadurecem...
Entre sorrisos e lágrimas
Dentro de uma alma única!
Alma mulher, de filhas, mães e fadas...

Por entre caminhos de muitas estradas.
Esplendores e manhãs
Revelação das tardes,
Pelos anseios das noites!
Entregas sutis...
Nos corredores das madrugadas!
  
Agora fecha os olhos e descansa...
Adormece entre os versos e as canções.
Neste breu que se abriga, espera!
Enquanto a alma única se encanta, abraçando o infinito!

Olhos da alma são livres.
Estes olhos que viajam no tempo...
Derrubando muros, construindo pontes, colhendo estrelas!
Estes olhos que se permitem todos os sentidos.
Eles não choram...
Porque estes olhos já conhecem;
Os mistérios de todos os caminhos!

01/06/2010

Água Viva Clarice Lispector

 Sonhei que te escrevia um largo majestoso e era mais verdade 
ainda do que te escrevo: era sem medo. Esqueci-me do que no 
sonho escrevi, tudo voltou para o nada, voltou para a Força do que 
Existe e que se chama às vezes Deus. 
Tudo acaba mas o que te escrevo continua. O que é bom,  muito bom.
O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas. 
Hoje é sábado e é feito do mais puro ar,  apenas ar.
Falo- te como exercício profundo de mim. O que quero agora 
escrever? Quero alguma coisa tranqüila e sem modas.
Alguma coisa como a lembrança de um monumento que parece mais alto 
porque é lembrança. Mas quero de passagem ter realmente tocado 
no monumento. Vou parar porque é sábado. Continua sábado. 
Aquilo que ainda vai ser depois - é agora. Agora é o domínio 
de agora. E enquanto dura a improvisão eu nasço. 
E eis que depois de uma tarde de "quem sou eu" e de acordar 
à uma hora da madrugada ainda em desespero -  eis que às 
três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao 
encontro de mim. Calma,  alegre,  plenitude sem fulminação.
Simplesmente eu sou eu. e você é você. É vasto, vai durar. 
O que te escrevo é um "isto". Não vai parar: continua. 
Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo. 
O que te escrevo continua e estou enfeiçada.

Último Capítulo do Livro: Água Viva de Clarice Lispector
     Produção e Narração: Alba Simões