Assim caminhamos...
A esperar o amor
A ler e a reler o ócio do sistema que nos aflige
Trancamos as janelas da dor
Para fantasiar a vida com os laços desfeitos
E a conviver com um amanhã de incertezas
A passos largos, sob um céu de promessas, a beber com as estrelas
Assim caminhamos...
A engolir banalidades e acreditar nas cidades vazias
Talvez porque tudo é progresso, é veloz e feroz e temos que competir,
pelas regras impostas - mesmo com os olhos vendados...
Depois de um dia inteiro, sem tempo pra estancar
os olhos precipitados da infância descalça
que atravessa os sinais, implorando esmolas
Da juventude atordoada, e da velhice esquecida...
Voltamos para casa, como trapezistas de um circo transformado
E assim vamos tropeçando nos absurdos inventados pelos ideais
corrompidos, por vaidade ou covardia...
Reinventamos crenças, e reviramos as gavetas, procurando as
gravatas sem remorsos
Questionamos, sem querer realmente saber as respostas
Estamos sempre com a livre consciência que se submete e cala
E artificialmente paralisados, vamos abrindo mão da nossa essência
Nos disfarçamos dentro de tudo, em meio a todos,
para nos sentirmos vivos!
E cansados, inevitavelmente não conseguimos fugir
E assim fingimos que nos acostumamos
Sem ao menos uma pausa -
Caminhamos como equilibristas
Antes e depois: Da transversal do fim!
Alba Simões

