Quero uma palavra despida!
Um futuro sem números, instantes sem mortes.
E vejo numa estrada de mão única, os apelos do destino de uma vida...
As chuvas lavam o passado, o sol aparece tímido entre as nuvens de janeiro.
No céu o espetáculo das cores do arco iris.
Promessa divina que sempre se cumpre.
É a vida em seu recomeço!
É o instante que sempre nasce.
E nos acolhe, nos alegra, como aquela flor que brota,
num velho jardim esquecido...
A antiga estrada, está mudada.
E os campos que as norteiam, são vastos...
Retiro a ferida dos olhos do dragão.
Descobri que ainda existem fadas, mesmo em reinos desencantados.
Agora eu não planto mais as velhas sementes e palavras, elas simplesmente brotam como os milagres naturais.
Pequeninos insetos defecam na terra a semente que os nutrem.
E eis que surge a nova semente - já adubada.
A colheita certamente será cada vez mais abundante.
Então é isso - Há vida em tudo!
Mesmo no silêncio que parece um corte profundo.
É encontrada a palavra, que se despi para um novo mundo!
Alba Simões




