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20/01/2015

Ela lambia os meus pés...


Ela lambia os meus pés. Enquanto eu cozinhava.
Peito de frango, eis que eu preparava seu prato preferido!
A febre do calor ultrapassava 40 graus...
Meu suor pingava da testa, escorria pelo meu rosto e salgava o cardápio principal da Juliana.
E meu tempo esquecido marcava as horas que não voltariam, jamais.
Amei Juliana neste exato instante, em que ela suplicava comida caseira.
Pensava que eu era um animal, que às vezes engolia qualquer porcaria pré-fabricada, uma coca cola uma mídia sangrenta, e talvez depois caia febril numa cama que por mais limpa abrigava milhares de ácaros... E no dia seguinte, me cabia um mundo absurdo de cumprir metas.
Para manter o meu emprego. Isto, não me sustentava a alma.
Juliana se viraria caçando insetos, talvez a minha ausência lhe devesse um breve adeus...
E Deus estivera presente neste suor, neste prato feito com amor, mesmo que fosse para servir um gato. Talvez este Deus esteja se manifestando nesses 40 graus, para que o poeta suporte a plenitude do céu.
Alba Simões


19/08/2012

As portas do coração

As portas do coração

 Acho que ninguém passa a vida como uma folha em branco, sem escritos, sem rabiscos.
Tudo vai sendo escrito na alma, os momentos vão sendo registrados , misturando o que foi com o que deixou de ser, as grandes expectativas com as grandes decepções.
Cada página virada traz as marcas das que passaram e com o tempo vamos aprendendo a prudência nas relações.
Quando somos jovens é diferente, pois a esperança é tão eterna quanto o amor que toma conta da gente.
Mas os anos nos trazem a vivência, a desconfiança e a memória das coisas que nos fizeram mal.
Se na juventude nos jogamos de cara a cada nova oportunidade, mais tarde aprendemos a caminhar lentamente, olhar de longe, tentar reconhecer os riscos e buscar garantias.
Essas mesmas garantias que só são assinadas depois, bem depois, caso existam.
A vida não nos abandona e as oportunidades vão surgindo.
Mas, com elas as feridas que se reabrem, que revivem e fechamos os olhos a, talvez, belos instantes de felicidade plena e eterna.
Não sabemos!
Não podemos saber!
As pessoas não são iguais, mas tão parecidas! 
Não queremos sonhar de novo e cair de novo, chorar de novo e parecer tolos aos olhos dos outros... preferimos fechar as portas do coração e olhar pela fresta, imaginar o que teria sido se tivéssemos, pelo menos, tentado...
Queremos sempre o amor, nunca a dor que dele resulta.
Queremos o mel, a alegria e até a saudade que pode incomodar o coração, mas dor... dor não!
Não sabemos, talvez, que seja esse o preço e que a alegria de amar um tempo vale mil vezes a dor cravada na alma.
Amar alguém é elevar-se ao ponto nobre da vida.
É tocar o céu e ter a terra aos seus pés.
E se mais tarde os ventos contrários nos trazem de volta, valeu a viagem, valeram as lembranças que carregamos e que nos sustentam.
E entre os escritos da vida, prevalecem, no fim, o néctar que soubemos tirar das flores, a poesia que tiramos dos amores, mesmo daqueles que tiveram fim...
Letícia Thompson

15/07/2012

Só quem ama é livre


Longe, um arco-íris pinta o céu.
Vejo tudo pelas frestas
arestas dos sonhos adormecidos...
Voo alto,nas asas que o pensamento cria.
E um velho mundo se desfaz, como quadros 
desbotados.
Esqueço desenhos de pântanos e solidão.
E eu vou de encontro ao arco-Iris,
esta é a esperança brotando entre
as pedras dos desenganos...
Só quem ama é livre.
Abro todas as janelas da minha alma.
O vento vem secar as lágrimas, daqueles que 
acreditam, que se renovam, que nunca desistem de
si mesmo...
Enquanto houver vida, haverá sonhos, e o paraíso
se reconstruirá bem mais perto que possamos 
imaginar.
A felicidade pode ser uma gota da chuva,ou o oceano 
inteiro, mas só é quando a sentimos dentro de nós.

Alba Simões

09/06/2012

Celebrando o Amor


No pulsar da vida no entrelaçar de mãos, corpos  de pensamentos soltos...
Amor é sentimento consentido de todas as formas.
É o esquecimento do tempo, porque nele não há dúvidas, nem razões.
Mergulho num elo desconhecido, que é o outro - Ser.
Reflexo de  uma mesma alma, dentro do ventre do mundo.
Fluído da energia sublime que tudo transcende, doação desprendida.
É a grande virtude bela e humana. É o rompimento da posse
adquirida, pelos exageros da vaidade.
Somos complexos demais para entender de amor, podemos unicamente senti-lo.
Como a brisa leve que toca nossa pele  num ato natural.
É  por do sol que gentilmente se despede ao entardecer, para que a lua venha iluminar a solidão das noites.
O amor é  vocação sem processos rituais...
É o partejar de todas as mães, que concebem a vida e sabem, que seus filhos são da terra.
Da  terra que nos nutri, com  aquilo que pudemos cultivar com nossas mãos e nosso suor.
O amor é a consciência que nasce, cresce, envelhece e morre sem se corromper.
É água límpida, chuva transformada, purificação e liberdade.
O amor é cabível de espaços sem medidas.
É a primeira e a última gota de orvalho, no destino de uma flor.
Não me importo mais com as datas, as fronteiras e os momentos propícios.
Estou em êxtase, celebrando o amor!
E descobrindo este amor  da própria vida...
Essência perfeita, que ultrapassa todos os paradoxos e inconstâncias humanas.
Alba Simões

06/01/2012

Castiçais Das Sombras.

Recomeços de melodias, nas velhas cartas e versos.
Fadiga ou cansaço?
Nos  dias bem vividos, que se guardam.
Vertem: Para não pular  destes  penhascos...
Memórias, por detrás destes  acordes.
Alegrias entre punhais -- Castiçais das sombras.
Dos destinos entre - separados.
Parados, se entreolham:
Mero reconhecimento?
Por dentre estes vãos, paredes e estradas.
É o tempo fermentando nossas veias, nas horas despercebidas.
Ausência da lembrança que tínhamos, nas tardes de pleno contentamento...
Tudo vem falar por nós...
Nestas estações tão esquecidas.
Rude não é este espelho, das verdades que ocultamos...
Talvez pela covardia nos olhares.
Pela falta de voz: Brisa e Silêncio
Das palavras que não ousamos revelar!
Alba Simões

26/11/2011

Pedaços de Mim


Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
Martha Medeiros

15/10/2011

Comboios Intactos Da Vida...


"...Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama o máximo.
E quem ama o máximo, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma - encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Mas que bobagem é essa que estou dizendo? No amor, ninguém pode machucar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la..."
" (...) tenho muitos comboios intactos na minha vida. um deles é o meu coração. também só brincava com ele quando o mundo colocava os carris, e nem sempre era o momento certo." (...)
Extraído do livro Onze Minutos
Autor: Paulo Coelho

08/04/2011

No interior das coisas

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Título original:Poesia

26/09/2010

Ode ao Silêncio


Silêncio.
Para te lembrar ou para te esquecer.
Para revelar a luz na penumbra da solidão
Para te encontrar ou te perder.
Agora não posso mais dizer se era verdade ou fantasia.
O verso se partiu, antes da palavra certa chegar.
O sol se escondeu atrás do mar.
O pássaro passou ligeiro.
O vento dissolveu o seu cantar.
Agora tudo é silêncio, como um filme antigo a rodar.
O nosso amor eu já guardei.
Neste mundo mudo que se constrói.
A  única coisa  eu que eu sei
É que hoje a minha alegria dói.
Alba Simões

09/06/2010

Enquanto você não vem

Enquanto você não vem,
mantenho como a presa de uma  vaidade.
Te quero bem, dentro das retinas,
invólucro preciso .
Não é tristeza  nem saudade.
Você mora na espera das minhas vontades...
Se é castigo ou privilégio,
eu não sei...
Cárcere inventado pela  solidão.

01/06/2010

Versos Indescritos

 A noite é calma,
 Agonia se revela a alma.
 Todo desejo conta a solidão da lua,
 Distante emancipada.
 Imponente mulher ausente.
 Quisera eu estar demente a lhe confessar
 Meus insólitos segredos...
 Mas me deixa assim.
 No deserto da noite a divagar,
 Com tua beleza de séculos incontáveis.
 Sem hesitar, antes que amanheça.
 Que nada e ninguém me reconheça.
 E quando voltar ao ocidente, já estará cansada...
 De anoitecer desenhando a face.
 Aquela que não consigo descrever.
 Alba Simões