09/03/2014

Velhos Quadros


O tempo é este corredor de cores
Entre palavras perdidas, pincelando velhos quadros,
reconstrói amores fugidios...
Esboça nesta tela sedenta, a cor do sangue!
Veste tudo que é vida com este desejo que não sabe o que quer, e também pode ser a morte.
Desconstrói o infinito, porque tem fome de estrelas, de templos e catedrais!
O tempo é um eco sem voz.
É memória, é história, é este exato instante.
É o traço, é o rebento e o rastro...
O tempo toca o tempo todo - Inexoravelmente!
Alba Simões

23/02/2014

Solidão disfarçada de alegria


No corte profundo das despedidas, os sonhos cicatrizam os amores não vividos.
As sombras se revelam nos corredores impróprios...
Máscaras das vaidades profanas dançam na escuridão.
Ilusões que cegam almas!
O peso hostil deste cotidiano cansado, nos arrasta pelas transversais vazias.
É um luxo que sobe escadas, para se atirar das janelas...
Neste vai e vem, onde quase tudo entorpeceu, constata-se:
Solidão disfarçada de alegria!
Alba Simões

06/10/2013

Aborto In Consagrados.

Aborto...
Dos desenganos e tormentos.
Pensamentos e lamentos.
Dos rituais in consagrados.
Da falta de cuidados com o amor
Aborto ao despudor das ironias das vidas vazias...
Quanto dói e sangra esta poesia.
Que não nasceu no seu coração petrificado.
É um carma?
Ou será uma manhã incógnita, onde uma palavra eternamente adormeceu...
Este é o meu aborto sem culpas...
É a minha Ode ao seu poema, que em mim morreu!
Alba Simões

05/10/2013

Contrastes Inversos

Assim como a lua brilha,
o sol me alucina.
Arde e aquece...
Que não tarde a exortação dos poetas!
Aqueles que se perderam no
desenredo deste mundo conturbado!
Que Deus nos salve, destas metas 
hipócritas, onde os idiotas se iludem...
E a vida se incube em destinos.
O desatino é esquecer a essência e 
adormecer um verso nestas lindas noites de luar!
Aqui deixo meu beijo, a todos!
São poucos, mais são lindos e 
essenciais.
Alba Simões

30/06/2013

O crítico como artista

Nenhum poeta canta porque tem que cantar.

Pelo menos, nenhum grande poeta o faz.
Um grande poeta canta porque resolve cantar.
É assim agora e sempre foi.
Às vezes somos levados a pensar que as vozes que se ouviam na alvorada da poesia eram mais simples,mais arejadas, mais naturais que as nossas e que o mundo que os poetas primevos contemplavam e pelo qual passeavam era dotado de uma espécie de virtude poética própria que podia quase sem alteração passar à canção.
Hoje a neve está acumulada no Olimpo e suas encostas íngremes e escarpadas estão ermas e estéreis, mas imaginamos que outrora os alvos pés das musas roçavam o orvalho das anêmonas pela manhã e à noite, chegava Apolo para cantar aos pastores do vale.
Mas com isso estamos apenas atribuindo a outras eras o que desejamos, ou cremos desejar, para a nossa.
Nosso senso histórico é deficiente.
Todo século que produz poesia é, na medida em que o faz, um século artificial,
e a obra que nos parece o produto mais natural e simples da sua época é sempre o resultado do esforço mais autoconsciente.
Creia-me, Ernest, não há belas-artes sem autoconsciência, e a autoconsciência e o espírito crítico são uma coisa só. 

Oscar Wilde: de "The critic as artist"
Saiba mais sobre:http://en.wikipedia.org/wiki/The_Critic_as_Artist


20/03/2013

A vida é o trem, não a estação

Transforme sua vida. Reescreva seu destino.

Num tom franco e extremamente pessoal, Paulo Coelho relata sua incrível jornada de auto descoberta. Como o pastor Santiago de seu grande sucesso O alquimista, o escritor vive uma grave crise de fé. À procura de um caminho de renovação e crescimento espiritual, ele resolve começar tudo de novo: viajar, experimentar, se reconectar às pessoas e ao mundo.
Ao embarcar para a África, depois para a Europa e, por fim, cruzar a Ásia pela ferrovia transiberiana, Paulo busca revitalizar sua energia e sua paixão. Mas nem pode imaginar que surpresa essa peregrinação lhe reserva.
Ele conhece Hilal, uma jovem e talentosa violinista, e descobre que ela foi sua grande paixão numa vida passada, mas que ele a traiu de maneira tão covarde que, mesmo 500 anos depois, isso o impede de ser feliz. Juntos, os dois se lançam numa viagem pelo tempo e o espaço, abrindo-se para o amor, o perdão e a coragem de enfrentar os desafios da vida.
Bonito e inspirador, Aleph é um convite à reflexão sobre o significado da nossa jornada pessoal: será que estamos onde queremos estar, fazendo o que desejamos fazer?
Aleph não deve ser apenas lido, mas vivido.
“Nossa vida é uma constante viagem, do nascimento à morte. A paisagem muda, as pessoas mudam, as necessidades se transformam, mas o trem segue adiante. A vida é o trem, não a estação.”
“A viagem não foi para encontrar a resposta que estava faltando na minha vida, mas para voltar a ser rei do meu mundo. Estou de novo conectado comigo e com o universo mágico à minha volta. É isto que faz a vida interessante: acreditar em tesouros e milagres.”
“Estou no Aleph, o ponto onde tudo está no mesmo lugar ao mesmo tempo. Estou em uma janela olhando para o mundo e seus lugares secretos, a poesia perdida no tempo e as palavras esquecidas no espaço.
Estou diante de portas que se abrem por uma fração de segundo e logo tornam a se fechar, mas que permitem desvelar o que está escondido atrás delas – os tesouros, as armadilhas, os caminhos não percorridos e as viagens jamais imaginadas.”

13/03/2013

Os Quarenta e um Tons de Tom

Águas de Março, consagrada composição de Tom Jobim eternizada na voz de Elis Regina, e outros grandes interpretes...Completa 4 décadas!
Exatamente quarenta e um anos de seu lançamento no ano de 1972.
Saudações de um tempo repleto de talentosas criações, onde os tímpanos ainda eram saudáveis!
Exceto a tirânica ditadura,que tentava amordaçar as mentes livres e brilhantes!
Pois é Tom, acertou num tiro certeiro, do belo horizonte ainda nos restam:
Um fundo do poço, a garrafa de cana, o estilhaço na estrada...
É como se no fim do caminho, e neste mistério profundo, vibrassem nas águas deste março, que os poucos ouvidos jamais se esquecerão!
Profetizou o poeta, em seu  compasso desritmado e contraditório.
Onde se evidencia que o fim do caminho, é estar um pouco sozinho...
Convalescendo de uma febre terçã, na melodia que lava as palavras, numa conversa ribeira,um conto de tamanha leveza e intensidade...
Dizer mais o que? 
É o Tom, em sua maestria...
E para um belo horizonte...
É desligar o rádio e a TV.
São as águas de março fechando mais um verão...
Chove e nada mais se vê.
É um espinho na mão, é um corte no pé...
Será o fim do caminho?
Falando de música, de cultura, de arte.
Haja passos e pontes!!!
Para que atualmente, possamos encontrar alguma pérola de tamanha genialidade poética!
Como diz Rita Lee, a nossa rainha roqueira: " Tudo vira bosta ".
É o funk, é o BBB, é a cabeça vazia, é um não sei porque.
É o fim da picada, é a lama é a lama.
 Alba Simões
Para saber mais detalhes sobre vida e obra do Maestro Tom Jobim acesse o Link:http://pt.Wikipedia.org/wiki/%C3%81guas_de_Mar%C3%A7o

04/03/2013

A Palavra Nua que te Beija

Renascida sobre as pontes desmistificadas,
trilho um caminho novo!
Um sorriso pra você, que me lê. 
É isso que lhe posso oferecer, sou renascida neste dia 
no alvorecer...
Acordei sem saber, porque aqui estava.
Talvez por causa do amor.
Se você me achar simplória ou ingênua, me deixe Ser.
Quando eu aprender falar de amor, que dizem os adultos, ser uma palavra tão  complexa,escreverei com leveza e intensidade!
Quando eu puder compreender o mundo, eu voltarei...
Verso solto e liberto!
Palavras sem vertigens.
Serei um poema compreendido, para além das estrelas...
Para você que me lê, transcenda!
Não sou a voz do poeta, sou a palavra nua que te beija!
Alba Simões

28/02/2013

A ponte de um Segredo

Ao meu verso esquecido, naufragarei como um navio antigo.
Neste mar de lamentos, meu tormento da palavra que se cala.
Desta folha em branco que me olha e entre-olha, em desafio
Paradoxo desatino.
Grito mudo, do meu espírito escrito!
É bálsamo que me purifica, e me liberta em silencio!
Onde se esconde este poeta, que sem a palavra
se perde no tempo e sangra sem destino?
Rogo que venha-me o rebento, estou sem ar, sem sangue, sem vida...
Não é a inspiração...
Foge a árdua criação que me sacia, e como uma catarse me recria.
Neste branco desespero, sacrifício latente do oficio, que agora
é velado...
Eu suplico, a cada letra absorvida,a cada palavra fugidia, o perdão dos meus excessos de  amor,e a fúria  dos meus medos nelas contidas...
Dos meus enganos nas linhas tortas, das minhas metáforas equilibristas.
Se morrem os poetas que me habitam, deixo tudo...
Não farei mais da minha dor, a  ponte de um segredo...
E como apelo final deixo meu ventre e minha alma, como um ritual de oferenda.
Para que  eu possa parir nesta impiedosa folha, sentir ressuscitar como um milagre:
Um verso, uma canção, até a minha póstuma poesia.
E que ao nascer, ela simplesmente lhe sorria!

Alba Simões

15/01/2013

Entre Fadas e Dragões

Quero uma palavra despida!
Um futuro sem números, instantes sem mortes.
E vejo numa estrada de mão única, os apelos do destino de uma vida...
As chuvas lavam o passado, o sol aparece tímido entre as nuvens de janeiro.
No céu o espetáculo das cores do arco iris.
Promessa divina que sempre se cumpre.
É a vida em seu recomeço!
É o instante que sempre nasce.
E nos acolhe, nos alegra, como aquela flor que brota,
num velho jardim esquecido...
A antiga estrada, está mudada.
E os campos que as norteiam, são vastos...
Retiro a ferida dos olhos do dragão.
Descobri que ainda existem fadas, mesmo em reinos desencantados.
Agora eu não planto mais as velhas sementes e palavras, elas simplesmente brotam como os milagres naturais.
Pequeninos insetos defecam na terra a semente que os nutrem.
E eis que surge a  nova semente - já adubada.
A colheita certamente será cada vez mais abundante.
Então é isso - Há vida em tudo!
Mesmo no silêncio que parece um corte profundo.
É encontrada a palavra, que se despi para um novo mundo!
Alba Simões

31/12/2012

2012 Enfim é o seu Fim!

Deixando  2012...
Enfim é o seu Fim!
Lavando a alma, como a  beleza incomparável da música de Astor Piazzolla!
Que venha 2013!!!
Só depende de nós.
Então vamos começar a revelar esse filme com muita harmonia, confiança e alegrias!
Desejamos 365 dias de muita paz, saúde e prosperidade...
Obrigada a todos os nossos 
queridos Amigos e Leitores!

16/12/2012

Nua Diante de Deus

Era um sábado chuvoso, o telefone interrompeu as minhas corriqueiras divagações.
Do outro lado da linha, um vendedor de voz rouca e um tom de cinismo, me oferecia vantagens em comprar "Máscaras em Promoções".
Mas que diabos!!! - Pensei, nem chegara janeiro e já queriam vender adereços de carnaval?
Eu que sempre abominei esta festa, iria dar ouvidos para aquela bobagem?
Não quero nada - Respondi, e num surto de raiva,e desliguei o aparelho.
Minhas divagações mudaram de rumo, e no percurso inquieto dos meus pensamentos, ocorreu-me a estranha ideia:
- Por acaso poderia ser que aquele individuo pudesse me oferecer algo mágico, como um outro rosto, e com este rosto eu poderia fingir para eu mesma, ser outra?
Resisti a esta tentação transversal e turva...
Fui até a cozinha, fiz um café, sentei-me a mesa e fiquei a observar as frutas de cera que enfeitavam a fruteira.
Como seria experimentar o gosto de uma fruta de cera?
O que faziam ali aquelas frutas, estariam se mascarando para não serem devoradas?
Nada fazia sentido...Estava resolvida a retirar tudo que era artificial daquela casa...
Eu me deixo ser por enquanto.
Quero ser eu mesma!
Com esta solidão que me preenche, esta felicidade que eu invento.
As coisas que eu guardo neste vasto baú que chamamos de memórias...
Mas tudo era uma alegria disfarçada, como as máscaras de plástico e as frutas de cera.
E eu não admitia ser um disfarce!
A chuva estava feliz, aproveitei o momento propício e aconchegante
para fazer as pazes comigo, e me perdoei por não conseguir te esquecer.
Também  não tive medo de ver o meu rosto, apesar do cansaço que refletia...
E percebi que a máscara que eu usara, não estava fora de mim, o que estava fora de mim era tudo verdade, porque era o que eu sentia.
Constatei: O rosto, e o cansaço que refletiam no espelho não eram meus. 
Me senti nua diante de Deus.
Estava declarando o meu amor para a vida.
Estava aprendendo a viver sem a necessidade de possuir.
Vi coisas e pessoas tão reais, que não queria mais fechar os olhos...
Enquanto eu tentava compreende-las, eu simplesmente não existia...
Eu fizera uma grande descoberta sobre mim...
E  apenas chorei, sem pensar em mais nada.
E finalmente libertada, me senti em estado de glória e de 
volúpia... 
Eu estava nascendo!
Alba Simões